Como esse “cara” ou essa “menina” passou no vestibular / concurso?

Costumo sempre falar nas minhas aulas que o aluno de cursinho que possui a maior chance de passar no vestibular/concurso é aquele que na época do ensino médio era “fraco”, “ruim” ou “péssimo”.

Aquele que sentava no fundo para poder dormir, que ia tão pouco à aula e, por isso, não lembrava direito o nome do professor, que sabia mais sobre vídeo game, namoradas e festas do que qualquer outro assunto relacionado ao colégio, que entendia todas as regras dos mais diversos jogos, que era periodicamente colocado para fora de sala pelo professor.

Esse é o tipo de aluno que passa nas provas de vestibulares/concursos e, com maior facilidade. Às vezes passa de primeira!

Já o aluno bom, aquele que só sentava na frente, que chegava cedo, que nunca se atrasava e ainda guardava lugar para os colegas (também considerados alunos bons), que lia todos os livros que o professor indicava, que só tirava nota 10 e ainda olhava com certo desprezo o aluno “ruim” e os excluía, este passa, mas pense que dá trabalho…

E antes que comecem a me “atirar pedras”, permitam-me dizer que se trata de uma constatação sociológica. Faça um exercício mental:

Lembre-se dos alunos mais bagunceiros de sua turma de ensino médio, aquele que você tinha certeza que sequer iria terminar o colégio. Agora, se lembre dos alunos bons, queridinhos dos professores.

Qual deles passou mais rápido no vestibular/concurso?

Qual dos dois está crescendo a passos largos na carreira ou na universidade?

Caso você tenha chegado à conclusão que são os primeiros, você deve estar se perguntando: “por que isso acontece?!”

Não sou especialista em semiótica educacional, mas tenho uma ideia empírica, abstraída do meu dia a dia em sala de aula.

O bom aluno sabe demais e por isso briga com a prova. O vestibular/concurso não é lugar para filosofia, tampouco para impor aquilo que você acha ser mais certo ou lógico, mas sim para responder exatamente o que a banca quer que seja respondido. Fugir disso é pedir para não passar!

Caso a CONSULTEC, FGV, FCC, IBFC – a titulo de exemplo- queira que você diga que 2+2 = 5, então você vai dizer… No entanto, começam os questionamentos: “Mas espera aí professor, todo mundo sabe que a resposta é 4”. Ou: “Eu não posso responder isso sabendo que está errado, a banca vai ter que mudar o gabarito”. Ou ainda: “Essa prova tem que ser cancelada”. Essas são algumas indagações dos conhecidos como bons alunos.

Sabe o que o aluno “ruim” pensa? “espere aí, eu escutei o professor do cursinho dizer que era pra marcar 5”. Sabe o que ele faz? Marca a alternativa que tem a resposta 5. Sabe o que acontece? Ele acerta a questão e o aluno bom errou. Vejo isso acontecer demais com meus alunos de cursinho e colégio.

Para quem não captou ainda, é lógico que estou usando a expressão aluno “ruim” no sentido caricato do termo. Minha intenção é mostrar que o mais importante não é a quantidade do que você estuda, mas sim o foco em relação a seu objetivo. De nada adianta estudar horas a fio se a forma e/ou conteúdo de seus estudos não estão adequados à realidade da prova que você vai fazer. É cansar a mente e perder tempo.

Quantas vezes já escutei a frase: “eu me matei de estudar, estudava 10 horas por dia e não passei nesta prova”.

Como isso é possível? Muito simples: seu  estudo não foi direcionado para o tipo de prova que fez.

Não estude para o vestibular ou concurso com o intento de se intelectualizar ou para questionar o que está na prova, lembre-se: você ainda não está na universidade! Estude com o objetivo de passar, sei que este fim é um tanto quanto propedêutico, mas é a tua necessidade no momento. E, atente-se, a prova não foi feita para concordar com tuas ideias, você que deve concordar com as ideias da prova.

Prof. André Luiz